EDITORIAL – Ecos 3


por Laura Rubião

É com grande alegria que lhes apresento mais um boletim Ecos. Em sua terceira edição, poderemos recolher os escritos, as vozes, as rimas e os cantos que já vêm, há algum tempo nos surpreendendo ao longo dessa viva preparação, rumo à XXV Jornada da EBP-MG: Acontecimento de corpo: da contingência à escrita.

Confiram na seção Interpretação acontecimento a preciosa entrevista com Éric Laurent sobre o corpo, o sinthoma e suas consequências clínicas na era do falasser. Um material denso e fecundo que atravessa todo o ensino de Lacan, iluminando, de forma orientadora, nossa investigação.

Em seu texto Interpretação acontecimento: a jaculação, Maria Aparecida Farage desdobra as nuances da interpretação analítica pela via da conjunção entre significante e corpo, destacando seu caráter jaculatório que dispensa o sentido histórico da verdade inconsciente.

Em sua intervenção, fruto de um trabalho de Cartel da jornada, apresentado em nossa segunda noite preparatória, Márcia Rosa nos permite apreender a presença viva do analista que, com seu corpo, dá suporte às muitas invenções singulares que se fazem sob transferência.

Transferência, amor e corpo são os elementos evocados por Claudinéia Bento para pensar a presença do analista como manifestação do inconsciente a partir de algumas referências freudianas e lacanianas.

Em sua contribuição, Marisa de Vitta retoma a experiência de Cartel para articular aí a emergência do acontecimento do dizer, definindo-o como o vivo da enunciação que “faz ressonância a partir da letra de cada um”.

Imprescindível apreciar os recortes trazidos pela comissão de bibliografia: dessa vez, a mesma pergunta é feita a dois colegas em relação à experiência do fim de análise: Elisa Alvarenga e Sérgio de Campos. Como o acontecimento de corpo opera nesse momento de concluir a análise? Não deixem de conferir!

Além de um poema de autoria de Mariana Ruas, vocês poderão acompanhar em Ecolalias, tudo que ressoa para além do registro epistêmico estrito senso: vídeos, músicas, declamações, performances…

Vale destacar o impacto de dois desses vídeos. O de Marguerite Duras nos impressiona por sua atualidade, ao nos remeter, como ressalta Helenice de Castro em sua apresentação, à “literalidade do corpo na informação”. O de Arnaldo Antunes nos permite captar, conforme destacou César Rota, o elemento vivo do corpo falante.

Desfrutem!