26 de outubro de 2021
O que faz sintoma para um corpo: a nova escrita do sintoma
por Helenice de Castro (Mais-Um)
Ecolalias
Playlist
Everyday Normal Guy
Apresentado por Sérgio de Mattos
Everyday Normal Guy é uma canção de Jon Lajoie, músico e comediante canadense que se tornou popular na internet.
O ritmo vibrante, a melodia simples gerando um certo suspense e o refrão tocante conduzem a canção da história de alquém que leva uma vida tragicamente normal, “ I’m just a regular everyday normal muthafucka”.
O que não é normal é que se revela na letra o que esta recalcado sob o imperativo de sucesso da atualidade, ou seja: uma dimensão subjetiva onde reina a sensação de fracasso e fragilidade humana. O Rapper com um tom sofrido, agressivo e debochado transforma essa miséria diária em poesia, riso e combate.
Recitação
Vídeos
Homenagem a Tony Bennett
Apresentado por Sérgio de Mattos
Esta é uma gravação recente de Tony Bennett com Lady Gaga.
Tony com alzeimer não reconhece mais seus 4 filhos nem a esposa, contudo não esquece as letras das suas músicas nem seu piano, incrível! Esse é o o poder das marcas sonoras, sobre as quais enredamos nosso destino com a linguagem.
Bibliografia
27 de outubro de 2021
Resenha: ROY, Daniel. Quatro perspectivas sobre a diferença sexual.
por Cristina Pinelli
27 de outubro de 2021
Resenha : SOLANO-SUÁREZ, Esthela. De l´évenément à l´avénement.
por Renata Mendonça
27 de outubro de 2021
Resenha: SANTIAGO, Jésus. (2021). Despertar ou fraturar a natureza interpretativa do inconsciente
por Virgínia Carvalho
Projeto AE Né Trem Lá Vem Bibli Uai
Comissão de Bibliografia da XXV Jornada – EBP-MG
Citações

Isaura Pena. Desenho, aguada com nanquim em papel.
MILLER, Jaques-Alain. “Ler um sintoma” In: Lacan XXI – Revista FAPOL on-line, abril 2016. Disponível AQUI, Acesso em: 09/10/2021
“Eu sustentaria de bom grado que o bem dizer na psicanálise não é nada sem o saber ler, que o bem dizer próprio a psicanálise se funda em saber ler. Se alguém dá muito crédito ao bem dizer, só alcança a metade do que se trata. Bem-dizer e saber ler estão do lado do analista, é seu apanágio, mas ao longo da experiência, trata-se de que o bem-dizer e o saber ler se transfiram para o analisante.”
“A leitura, o saber ler, consiste em colocar à distância a fala e o sentido que ela veicula a partir da escrita como fora do sentido, como Anzeichen, como letra, a partir de sua materialidade. Ao passo que a fala é sempre espiritual, se posso dizer, e que a interpretação que se mantém puramente no campo da fala só faz inflar o sentido, a disciplina da leitura visa a materialidade da escrita, isto é, a letra na medida em que ela produz o acontecimento de gozo que determina a formação dos sintomas. O saber ler visa o choque inicial, que é como um clinâmen do gozo – clinâmen é um termo da filosofia dos estóicos.”
por Renata Mendonça
LACAN, Jacques. O seminário, livro 20: mais ainda, 1972/1973. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.
“O corpo, o que ele é então? É ou não é o saber do um? O saber do um se revela não vir do corpo. O saber do um, por pouco que possamos dizer disto, vem do significante Um. O significante Um, será que ele vem de o significante como tal não ser jamais senão um-entre-outros, referindo a esses outros, não sendo senão a diferença para com os outros?” (LACAN, 2008 [1972/73], p. 153)
LAURENT, Éric. A batalha do autismo: da clínica à política. Rio de janeiro: Jorge Zahar, 2014.
“O modo como o sujeito autista trata essa proliferação ‘lalativa’ consiste em querer reduzi-la ao Um da letra que se repete, incluída ou não no campo da fala, vocalizada ou repetida em silêncio. Ora, o Um se repete, mas sem conseguir tratar a proliferação dos ‘equívocos reais’ da língua.” (LAURENT, 2014, p. 104)
“As diversas práticas a que os sujeitos autistas recorrem com seu corpo, com sua agitação, lhes servem, portanto para tratar sua relação com o acontecimento do corpo, mostrando o quanto este está invadido por um excesso de gozo, donde suas tentativas de extrair algo dele. (LAURENT, 2014, p. 106)
“Seja qual for o modo como se apresentou para o sujeito o acontecimento do corpo que marcou sua recusa do mergulho na linguagem, a maneira como ele viveu é crucial. As oficinas pedagógicas apoiam-se no modo como a criança trata o trauma com seu objeto autista e isso, quer o trauma diga respeito ao registro do objeto voz, do escópico, do oral ou do anal.” (LAURENT, 2014, p. 126)
ÁLVAREZ BAYÓN, Patrício. El autismo, entre lalengua e la letra. Argentina: Ed: Grama Ediciones, 2020.
“El troumatisme inscribe el cero y el Uno, produciendo el borde del agujero y la marca en el cuerpo que es el síntoma. […] Este es el acontecimiento de cuerpo que se produce en troumatisme: la inscripción de la letra y su borde, que instaura a la repetición del síntoma y la escritura salvaje del síntoma. Esa inscripción, esa marca que se repite, es un acontecimiento de cuerpo.” (ALVAREZ BAYÓN, 2020, p. 93)
“[…] es la inequivocidad de la letra producto de la forclusión del agujero, por la que hay una dificultad inherente al autismo para producir una elucubración de saber sobre lalengua, y así se explica la indicación de Lacan sobre la detención del lenguaje en el autismo. La detención en el lenguaje marca una dificultad en el anudamiento: lo simbólico no logra anudar lo imaginario y lo real.” (ALVAREZ BAYÓN, 2020, p. 191)
por Rodrigo Almeida
Citação comentada

Isaura Pena. Desenho, aguada com nanquim em papel.
Do sintoma que fala ao sintoma que se escreve: comentários sobre algumas passagens do livro O avesso da biopolítica: uma escrita para o gozo, de Éric Laurent
por Tatiane Costa
O sintoma histérico fala, trazendo sua verdade enlaçada na relação com o Outro. “Ele supõe no horizonte, segundo Freud, a identificação e, no fundamento desta, um amor primeiro, o amor do pai, como laço ao Outro. Ele também se articula ao Dois.” (LAURENT, 2016, p. 45).
Mas, como observa Éric Laurent, seguindo as trilhas de Lacan, também é necessário pensar em como falam os corpos aquém do sintoma histérico, questionando, para isso, “como o sintoma do Um-sozinho (Un-tout-seul), que não fala, pode passar ao estatuto de sintoma articulado ao Outro, articulado ao Dois” (LAURENT, 2016, p. 45).
Para avançar nessa direção, é preciso, pois, dar um passo a mais, a fim de realizar-se uma passagem: do “sintoma que fala” ao “sintoma que se escreve em silêncio”. Nas palavras de Laurent (2016, p. 46):
Essa passagem é necessária em nome da experiência do próprio tratamento analítico. No fim de longas análises, constata-se efetivamente que o sintoma não se desvanece depois de ter sido interpretado por múltiplos efeitos de sentido sucessivos. Há restos sintomáticos em que se desvela a forma lógica fundamental do sintoma como o que se escreve sobre o corpo e não fala, não passa pela experiência de fala, pois deixa de interessar-se pelo sentido. Essa estrutura desvelada no fim da experiência deve ser considerada primeira. É ela que Lacan encontra, a céu aberto, em Joyce – que está diretamente conectada com seu gozo (…). Como a experiência analítica é também experiência de fala, poder-se-ia dizer que ela, de início, situa o sujeito em posição de fazer falar seu sintoma. Uma vez dado o passo lacaniano, o sintoma se limita a uma pura escrita sobre o corpo, ele não fala.
Escrever o corpo pode ser, assim, uma forma de acolher esses restos sintomáticos que insistem e que não se traduziram pela via da fala ao longo dos anos de uma análise. Escrever o corpo pode ser, ainda, uma forma de captar as ressonâncias de lalíngua sobre ele.
Agradecimentos
Nossos agradecimentos à artista Isaura Pena pelo uso de seu belo trabalho aqui no Boletim #5.
Isaura Pena (Belo Horizonte, 1958) é artista plástica e professora de desenho na Escola Guignard – UEMG desde 1996. Possui graduação pela EBA – UFMG, com Habilitação em Desenho (1983); especialização em Artes Plásticas e Contemporaneidade pela Escola Guignard-UEMG (2006) e doutorado em Arte Contemporânea no Colégio das Artes na Universidade de Coimbra, Portugal ((2018) com bolsa do Programa de Doutorado Pleno no Exterior-CAPES. Tem participado de exposições coletivas e individuais desde 1983 no Brasil e no exterior. É pesquisadora no Núcleo de Estudos e Ensino em Desenho Contemporâneo – NEDEC – UFMF/UEMG e no ESTE-Estudo em Arte-UEMG.